sábado, 8 de junho de 2013

Todo ano sempre que ligava no meu aniversário, meu avô me perguntava o que eu queria ser, quando crescesse. Em 1988 eu respondi "batman", em 1991, "bombeiro", em 1996, " ponta-esquerda do Grêmio", em 1999, falei "drag-queen" (em minha defesa, estava passando por um momento meio confuso, que já passou); e, em meados de 2000, eu desisti de todo aquele papo e respondi que só queria ser livre. Ele resmungou no telefone que era bobagem, isso de ser livre. Ninguém é livre. Eu tentei expor minha ideia, mas ele tapou os ouvidos e gritou alto lá-lá-lá- o grande superpoder de um avô é dizer o que bem quiser e só ouvir o que lhe convém. E eu fiquei magoado porque, bem, o que mais sabem fazer os adolescentes, além de remoer mágoas o tempo todo?

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